Os conceitos de estimulação cardíaca artificial datam da pré-história e dos primeiros contatos do homem com o magnetismo e eletricidade – o famoso “âmbar” proveniente das resinas fósseis, quando esfregado, atraía penas, fiapos e pedaços de papel. Outro mineral com importantes propriedades magnéticas seria a magnetita. Os primeiros registros de síncope e sua associação com “pulso lento” foram feitos por Hipócrates e formulados por Geronimo Mercuriale em 1580.
O primeiro ECG (eletrocardiograma) em um ser humano foi realizado em 1887 por Augustus Waller, sendo desenvolvido posteriormente por Willem Einthoven – considerado o pai da eletrocardiografia. Anos após, em 1932, Albert Hyman utilizou o termo “marcapasso artificial” ao perfurar o miocárdio com uma agulha através do espaço intercostal e estimular o coração por meio de um gerador externo de energia (fig. 1) e um cabo-eletrodo-agulha (fig. 2).


Inicialmente rejeitado pela comunidade científica da época, o trabalho e os princípios de Hyman foram estudados e desenvolvidos até o implante do primeiro marcapasso eletrônico completamente implantável do mundo, em 1958, pelo cirurgião cardíaco sueco Ake Senning e o engenheiro Elmqvist. O paciente, Arne Larsson, sofria com um bloqueio atrioventricular completo e síncopes frequentes ao longo do dia. Larsson sobreviveu e foi submetido a 27 cirurgias ao longo da vida, vindo a falecer em 2001 aos 86 anos.
Ao longo dos anos, e graças ao desenvolvimento de novas tecnologias, os marcapassos – inicialmente robustos e com baterias de pouca duração – se aperfeiçoaram (fig. 3 e 4), chegando aos dispositivos atuais (menores, mais eficientes e programáveis, além de possuírem baterias mais duradouras – vale lembrar que o primeiro marcapasso implantado durou apenas 8 horas de autonomia).
Atualmente o implante de marcapasso é feito sob sedação e anestesia local (o paciente não precisa de anestesia geral), com tempo cirúrgico aproximado de 60-90 minutos e com alta programada para o dia seguinte. E sobre a autonomia, atualmente as baterias têm uma duração aproximada de 8 a 10 anos (quando necessitam de nova cirurgia para sua troca).

